Blog

Liderança de mulheres no combate à extrema direita e ao avanço do conservadorismo no Brasil

woman in black blazer behind speech desk

Nos últimos anos, o Brasil assistiu a um fenômeno duplo: de um lado, o fortalecimento de discursos de extrema direita e de pautas conservadoras, especialmente ligadas a costumes, gênero e direitos sociais; de outro, a emergência de uma geração de mulheres que se tornou linha de frente na resistência a esse avanço. Essa liderança não está restrita aos partidos políticos — ela também nasce nas ruas, nos movimentos sociais, nas redes de solidariedade e nas organizações comunitárias espalhadas pelo país.

Dentro do Congresso: representação e enfrentamento direto

No Legislativo, algumas parlamentares se transformaram em símbolos dessa disputa. Erika Hilton, deputada federal por São Paulo, é um dos nomes mais visíveis. Eleita em 2022, tornou-se uma das primeiras mulheres trans na Câmara dos Deputados e rapidamente ultrapassou o rótulo de “pauta identitária” ao protagonizar debates que dialogam com o conjunto da classe trabalhadora — como a proposta de emenda constitucional que discute o fim da escala de trabalho 6×1, tema que ganhou repercussão nacional e colocou a deputada no centro do debate trabalhista, inclusive negociando diretamente com o governo federal. Sua atuação também inclui a defesa de pautas de gênero, raça e diversidade, com articulação para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

Sâmia Bomfim é outro nome de destaque nesse cenário. Deputada federal e uma das lideranças mais conhecidas do PSOL em São Paulo, ela construiu trajetória associada à defesa de pautas feministas, de direitos sociais e ao enfrentamento discursivo direto com setores bolsonaristas e de extrema direita no plenário e nas redes sociais — tornando-se um dos alvos recorrentes de ataques desses grupos, o que, paradoxalmente, reforça sua visibilidade como voz de oposição.

Essas mulheres dividem espaço com outras parlamentares que têm se destacado em pautas de igualdade racial e social, como Talíria Petrone e Daiana Santos, formando um bloco que estudos recentes apontam como o mais engajado do Congresso em temas de igualdade racial e de gênero — um contraste evidente com o desempenho de parlamentares de direita e extrema direita nessas mesmas pautas.

Fora dos partidos: a força dos movimentos sociais

Se dentro do parlamento a disputa é institucional, fora dele ela se dá pela organização coletiva. O Brasil tem uma longa tradição de mulheres que constroem poder político sem passar por legendas partidárias — através do associativismo, dos movimentos populares e das redes comunitárias.

A Marcha Mundial das Mulheres e a Articulação de Mulheres Brasileiras são exemplos de organizações que, há décadas, mobilizam mulheres em torno de pautas como violência de gênero, direitos reprodutivos e justiça social, funcionando como contraponto direto às narrativas conservadoras que ganharam força nos últimos anos. Mais recentemente, movimentos como o Levante Mulheres Vivas colocaram nas ruas o debate sobre feminicídio e misoginia, respondendo à crescente presença de discursos misóginos organizados on-line, incluindo os chamados movimentos “red pill”, que têm mirado especialmente o público jovem.

A Marcha das Mulheres Negras também tem papel central nesse cenário, unindo pautas de raça e gênero e dando visibilidade a lideranças que constroem sua força política fora das estruturas partidárias tradicionais — seguindo uma trajetória que remonta a nomes históricos do feminismo negro brasileiro, como Sueli Carneiro, fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, referência na articulação entre feminismo, antirracismo e educação popular no país.

Além disso, mulheres à frente de movimentos como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) também compõem essa frente, ampliando o enfrentamento ao conservadorismo para o campo da moradia, da terra e da desigualdade social — mostrando que a resistência feminina à extrema direita não se limita às pautas de costumes, mas atravessa também as disputas econômicas e territoriais.

Uma disputa também simbólica

Vale destacar que a extrema direita brasileira tem investido, ela própria, em lideranças femininas — algo que analistas descrevem como uma tentativa de capturar o eleitorado feminino por meio de discursos que contrapõem uma “política feminina” tradicionalista a uma “política feminista”. Isso reforça que a disputa em torno do lugar das mulheres na política brasileira não é unilateral: há, de fato, um embate simbólico em curso sobre o que significa representar as mulheres no país, com projetos de sociedade opostos disputando esse espaço.

Um campo de disputa em aberto

A eleição de 2026 deve intensificar ainda mais essa disputa, com nomes como Erika Hilton cotados para postos de maior projeção — incluindo especulações sobre uma candidatura ao governo de São Paulo — e Sâmia Bomfim seguindo como uma das vozes mais atuantes da esquerda paulista. Ao mesmo tempo, os movimentos sociais liderados por mulheres continuam expandindo sua capacidade de mobilização fora dos gabinetes, provando que a resistência ao avanço conservador no Brasil é multifacetada: institucional e de rua, partidária e comunitária, mas protagonizada, em grande medida, por mulheres.

Não se esqueça de seguir o Fyra nas redes sociais!

Instagram

Twitter

Facebook

TikTok

Threads

Bluesky


Descubra mais sobre Fyra - Dating App for Progressives

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Fyra - Dating App for Progressives

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading